
Num dia qualquer, cabelo grande de 6 meses de desencontro com a tesoura, resolvo cortar. Engraçado é que, passo a vida cortando o cabelo e quando eu morrer, ele continuará crescendo, como se a natureza sempre vencesse. Outra coisa que cresce póstumamente são as unhas.
Já que fazia tanto tempo que não cortava o cabelo, resolvi que se ía fazer, teria que ter algo a mais, então saí para comprar um shampoo e um creme, pelo que me recordo nesses 23 anos de vida, pela primeira vez.
Outro dia meu irmão escreveu sobre pequenos momentos, cenas cotidianas que observamos quase sem querer e que nos conecta com um sorriso de satisfação ou uma trascedência inexplicavel.
Cheguei ao supermercado com a missão de comprar um shampoo específico que eu tinha experimentado de minha namorada durante nosso último fim de semana na praia. O creme foi qualquer mesmo. Logo que pisei no local escutei uma música que raramente agradaria alguém com bons ouvidos, se tratava daqueles pianistas/tecladistas que colocam no seu orgão Cassio uma base rabugenta de bateria eletrônica e fica dedilhando músicas diversas, que um dia fizeram sucesso.
Aquela música me seguiu durante toda minha experiencia em adiquirir produtos para o cabelo. Já no caixa, uma moça dançava alegremente ao mesmo tempo que dois atendentes faziam caras de riso com a cena, ela nem notou as piadinhas proferidas sobre sua performance.
Já na saída, em frente ao artista, uma senhora de seus 70 anos dançava como se resgatasse bailes de outros tempos. Absoluta, séria porém nostalgica, girava sozinha, lentamente como sua idade permitia, uma mão segurando a cintura, como se seu falecido marido a guiasse mais uma vez numa gostosa dança, observei durante um tempo.
Todos os olhos passantes pousavam alguns segundos naquela cena. Lembrei do texto do meu irmão, entrei no carro e me senti leve, absolutamente tomado de uma alegria quase palpável. Gargalhei alto enquanto conduzia o carro, uma gargalhada cheia de orgulho de estar vivo. Me deu mais gosto de viver.
Paula (a namorada do shampoo) disse,
13 13UTC Abril 13UTC 2009 às 19:04
Gostei mais de ver a historia escrita, contada a memoria nao tem tempo de imaginar tantos detalhes e deixa de ter tanta emoção.
Agora so quero ouvir tuas historias por aqui, afinal nao posso perder os pequenos momentos =D
beijos nos cabelos de chocolate